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Fluidos perigosos: entenda o que são e quais suas características

Entenda neste artigo o que são os fluidos perigosos nas principais indústrias globais, quais são suas características e como lidar com eles. 

O que são fluidos perigosos e resíduos perigosos?

Fluidos perigosos e resíduos perigosos recebem classificação própria de acordo com as normas vigentes em território nacional e internacional.

No caso dos resíduos, por exemplo, a ABNT NBR 10.004:2004 determina:

  • Classe I – perigosos: são aqueles que possuem características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.

Para fluidos, podemos adotar pensamento semelhante. São perigosos aqueles que ameaçam a vida e saúde dos seres humanos e são potencialmente nocivos ao ambiente. 

Levando em consideração os EUA, onde a Environmental Protection Agency define fluidos e resíduos perigosos de maneira similar ao Brasil, existem 4 indústrias responsáveis por aproximadamente 90% dos materiais, fluidos e resíduos perigosos gerados. São elas:

  • Indústria Química;
  • Siderúrgica Primária;
  • Fabricação de Metais;
  • Processamento de Petróleo.

Esses grandes produtores de fluidos e resíduos perigosos, em especial refinarias de petróleo e grandes fábricas de produtos químicos geram mais de 1t desses produtos por mês. Como resultado, são um dos setores mais regulamentados nos EUA.

No Brasil não é diferente, e a NR 26, por exemplo, determina a identificação visual para cada fluido utilizado na indústria. Existem ainda outras normas que abordam o uso de fluidos perigosos, como (mas não se limitando a):

  1. NR 12 – Operação de máquinas e equipamentos pesados e/ou  perigosos;
  2. NR 13 – Caldeiras, Vasos de Pressão, Tubulações e Tanques Metálicos de Armazenamento;
  3. NR 16 – Atividades e Operações Perigosas;
  4. NR 20 – Segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis;
  5. NR 33 – Segurança e saúde no trabalho em espaços confinados.

A seguir, iremos explorar melhor quais são os principais produtos nas 4 principais indústrias produtoras de fluidos e resíduos perigosos. 

Fluidos perigosos na indústria química

Nem todo produto químico é perigoso ou tóxico, mas essas indústrias lidam com uma grande variedade de produtos distintos no mesmo ambiente e alguns deles possuem efeitos negativos no corpo humano e no meio ambiente. 

Por isso, é importante saber como armazenar, manusear e transportar cada um deles..

Fluidos químicos perigosos podem oferecer uma grande gama de perigos à saúde, levando a doenças, ferimentos e até mesmo à morte. 

Os riscos incluem: ferimentos na pele e infecções, câncer de pele, alergias, asma, queimaduras químicas, problemas reprodutivos, defeitos no nascimento, asfixia, danos a órgãos internos, cânceres diversos e morte.

Os empregados podem ser expostos aos fluidos perigosos em 4 formas distintas: gases ou vapores, líquidos, poeiras e sólidos.

A forma muda a maneira como o material entra no corpo e, até certo ponto, muda a quantidade de dano à saúde. Por essa razão, a maneira correta de usar e cuidar dos EPIs e EPCs é vital para evitar derramamentos, vazamentos e outras exposições acidentais.

Lista de Fluidos Perigosos na Indústria Química

Ácido Clorídrico

O ácido clorídrico, na forma pura, é usado como reagente químico. Quando apresenta outros componentes na mistura, é chamado ácido muriático e é usado para remover manchas em pisos e paredes. Além disso, atua no tratamento e galvanização de metais, curtição de couro e na produção e refinação de diversos produtos. 

Pelo uso amplo e diversas aplicações, o ácido clorídrico está disponível em diversas indústrias. Contudo, é extremamente prejudicial à saúde.

Pode causar queimaduras graves na pele, olhos e mucosas, possui um vapor irritante capaz de danificar as mucosas internas no sistema respiratório, é corrosivo para metais e ainda apresenta reação violenta com risco de explosão ao ser posto em contato com álcalis concentrados e metais alcalinos e alcalinos terrosos.

Ácido Sulfúrico

O ácido sulfúrico é outra substância amplamente utilizada nas indústrias, sendo que o maior consumo do produto se dá na fabricação de fertilizantes, como superfosfatos e o sulfato de amônio. 

Além disso, apresenta uso na indústria petroquímica, de papel, corantes, nas baterias de chumbo de automóveis, na fabricação de sulfatos de alumínio para tratamento de água e efluentes, é neutralizador de álcalis e muito mais.

Com tantos usos e presença quase certa, os riscos de acidente estão ao redor dos trabalhadores, pois é altamente nocivo para a saúde.

É corrosivo para pele e provoca lesões oculares graves com lacrimejamento e em casos graves leva à cegueira. Também emite gases, vapores e poeiras irritantes e corrosivas ao sistema respiratório.

Apresenta categoria 1 para corrosão de metais, 1A para corrosão/irritação à pele, e categoria 1 para lesões oculares graves de acordo com as normas vigentes no Brasil.

Soda Cáustica

A soda cáustica, ou hidróxido de sódio, é um composto químico popular na indústria e presente em diversas atividades. Contudo, assim como todos os produtos supracitados, é prejudicial à saúde dos trabalhadores. 

Em caso de ingestão, a soda cáustica apresenta queimaduras severas e perfurações completas dos tecidos das mucosas do sistema digestivo (boca, esôfago e estômago). 

Além disso, borrifos no ar podem causar danos às vias respiratórias e ao tecido do pulmão, causando pneumonia química dependendo da concentração. 

Ao entrar em contato com a pele, pode destruir tecidos e causar queimaduras graves. O mesmo vale para contato com os olhos, já que leva a queimaduras severas podendo danificar a região ou cegar. 

Apesar de não ser inflamável, dependendo do metal com que entre em contato, pode criar gases inflamáveis no espaço de trabalho.

Amônia

Esse composto é muito usado na indústria farmacêutica, têxtil e de refrigeração industrial. Em condições normais de temperatura e pressão, a amônia é apresentada em estado gasoso. Porém, é comercializada sob a forma líquida e é utilizada na indústria de fertilizantes como matéria-prima.

A amônia é um gás irritante capaz de afetar vias respiratórias, olhos e pele. A extensão dos danos depende do tempo e nível de exposição: podendo ir de irritações leves a lesões corporais severas. 

A inalação de amônia pode causar dificuldades respiratórias, broncoespasmo, queimaduras na mucosa nasal, faringe e laringe, dor no peito e edema pulmonar.

Já a ingestão causa náusea, vômitos e inchação nos lábios, boca e laringe. Já no contato com a pele, apresenta dor, eritema e vesiculação, mas em alta concentração pode haver necrose do tecido e queimaduras profundas. 

Além disso, o contato com os olhos em baixas concentrações leva a irritação ocular e lacrimejamento, mas em casos de altas concentrações pode causar conjuntivite, erosão na córnea e cegueira temporária ou permanente.

Por fim, reações tardias (pós-exposição), podem levar a fibrose pulmonar, catarata e atrofia da retina.

Hexano

O Hexano é normalmente utilizado em postos de gasolina, indústrias químicas, petroquímicas, de extração de óleo vegetal e na geração de energia. 

Seus principais usos envolvem a extração de óleos vegetais (atuando como solvente), na formação de colas e adesivos e na fabricação de produtos de limpeza industrial e para desengraxe.

Os efeitos do Hexano podem ser mais sutis a curto prazo, mas geram problemas de saúde grave com exposição prolongada. Mediante inalação, ingestão ou contato dérmico, pode causar dor de cabeça, náusea, tonturas, perturbações sensoriais (visuais e auditivas) e irritação dérmica. 

A exposição contínua ao Hexano pode levar a doenças cardiovasculares, desordem sanguínea e problemas respiratórios crônicos.

Fenol

O fenol é usado na indústria química para fabricação de plásticos, perfumes, corantes, explosivos, resinas, vernizes, desodorantes, adesivos, cosméticos e tintas.

Contudo, é extremamente nocivo e tóxico, além de poder provocar hematomas na pele, necrose e gangrena dos tecidos graças à capacidade de penetrar rapidamente nos tecidos. 

O fenol normalmente se apresenta na forma de cristais e possui um odor característico. Quando em contato com a pele, gera manchas brancas, mas quanto maior o tempo de exposição, mais profundo o dano por ação cáustica. 

Pela ação agressiva, era usado como desinfetante, mas seus danos à saúde humana acabaram eliminando esse uso na rotina das indústrias. 

Quando ingerido, o fenol provoca queimaduras intensas na boca, na garganta, dor abdominal intensa, cianose, fraqueza muscular e coma. Um dos sinais de ingestão são os tremores ou contrações musculares. É possível ir a óbito por parada respiratória. 

Além disso, quando inalado, provoca dispneia e tosse. Por fim, a absorção contínua provoca danos aos órgãos (principalmente fígado, rins e sistema nervoso central).

Tolueno

Quando a exposição ocorre por respiração, ingestão, contato com a pele ou olhos, o tolueno pode fazer trabalhadores doentes imediatamente. O odor forte e doce é um sinal de exposição (e potenciais vazamentos).

Grandes concentrações de tolueno em uso numa área sem ventilação ou espaços confinados podem causar depressão respiratória, perda de consciência e morte.

Precauções de segurança e ventilação adequada são necessários para prevenir irradiação à garganta, olhos e nariz. Isso evita tontura, confusão, dores de cabeça e pele ressecada.

Respirar grandes níveis de tolueno na gravidez pode resultar em nascimentos com deficiências físicas e habilidades cognitivas afetadas. O tolueno algumas vezes é associado a abortos espontâneos.

Quando ingerido, pode causar problemas nos rins e fígado.

Lista de fluidos perigosos na indústria petrolífera

Gasolina

A gasolina é composta por substâncias químicas aromáticas, como o benzeno, cujas principais características envolvem fortes ligações entre os átomos e uma alta capacidade de danificar o sistema nervoso central de seres vivos mesmo em concentrações ínfimas. 

A presença de benzeno é um dos motivos para alta periculosidade da gasolina. A inalação do produto pode causar dores de cabeça, irritação das vias respiratórias, náuseas e problemas pulmonares mais graves. 

Além disso, a exposição a longo prazo pode causar danos neurológicos, infecção pulmonar, anemia não reversível (com diminuição no número de plaquetas capaz de levar à leucemia) e diminuição da ação do sistema imunológico. 

Não só isso, mas a inalação a longo prazo pode aumentar o nível de agressividade e ansiedade dos trabalhadores. 

O contato com a pele pode causar queimaduras leves, ressecamentos e dermatite nos casos mais graves. 

Óleo Diesel

Os gasóleos e óleos destilados são misturas de petroquímicos com hidrocarbonetos saturados (parafínicos ou naftênicos) ou aromáticos com cadeia carbônica, mas também podem apresentar impurezas de enxofre e seus derivados, compostos oxigenados e/ou nitrogenados. 

Seus líquidos e vapores são inflamáveis e o óleo diesel é nocivo se inalado. Além disso, também causa irritação à pele no caso de contato direto, e pode apresentar dano ao trato gastrointestinal, ao sistema nervoso central, fígado e rins e aos pulmões caso ingerido.

Também possui efeitos narcóticos de sonolência e vertigem, irritação respiratória e causar morte caso haja penetração nas vias respiratórias por tempo ou com concentração suficiente.

GLP (Gás Liquefeito de Petróleo)

Também conhecido como gás de cozinha, é extremamente inflamável e apresenta risco de explosão em ambientes fechados. 

O contato com o gás liquefeito pelo escape em cilindro de alta pressão pode causar queimadura por congelamento (frostbite). 

Os efeitos de altas concentrações por inalação podem levar à perda de concentração, tontura, pressão na parte frontal da cabeça, formigamento nas extremidades do corpo, rápida redução de movimentos, incapacidade de fala, perda de sensibilidade, redução de consciência por efeito narcótico e asfixia até a morte.

QAV (JET) – Querosene de Aviação

O QAV, também conhecido como JET, é usado em processos químicos ou como agente de extração, no revestimento (tintas e adesivos), produtos de limpeza, aplicações rodoviárias e de construção, processamento de metais, agente ligante ou desmoldante, em agroquímicos, combustível para aviação, lubrificante industrial, fluido de transferência, refrigerante isolante, fluido hidráulico e na fabricação de explosivos.

Com uma lista de atuações tão grandes, muitos trabalhadores estão sujeitos ao contato com o produto, que é altamente tóxico. 

O contato com a pele e com os olhos causa vermelhidão e dor no local atingido (além de dermatite). Além disso, irrita a via aérea superior quando inalado, causando tosse, dor de garganta e dificuldade de respiração. Dependendo da concentração ou volume, pode causar pneumonite e morte. 

Também é depressor do sistema nervoso central, levando a dor de cabeça, náusea, tontura, confusão mental e perda de consciência.

Benzeno

A indústria petrolífera produz mais materiais não-biodegradáveis (plásticos) que qualquer outra indústria, e muitos possuem químicos e toxinas perigosas que também são não biodegradáveis.

O benzeno é um material perigoso usado no refinamento de petróleo e petroquímicos, fabricação de pneus, além de outros mais. O benzeno também é usado na fabricação de plásticos e está presente na gasolina e outros combustíveis fósseis. 

Exposição ocupacional a curto prazo com altos níveis de concentração desse material podem levar a tontura, sonolência, inconsciência e morte. Exposição a longo termo de baixas concentrações podem afetar a produção de sangue e a medula óssea. 

Existem casos registrados de trabalhadores que desenvolveram e morreram de leucemia. 

Butadieno

1,3-Butadieno é o 36º produto químico mais produzido nos EUA, sendo que os EUA geram mais de 3 bilhões de libras (1.360.777,11t) anualmente. 

O fluido é usado no refino de petróleo, fabricação de plásticos, produção de borracha sintética e está em combustíveis fósseis. 

Níveis de exposição aguda podem danificar o sistema nervoso central e o cardiovascular, causar visão borrada, vertigem e dores de cabeça, levando a fadiga e desmaios.

Sulfato de hidrogênio

O sulfato de hidrogênio é produzido no refino de petróleo e gás natural. Pode ser liberado na extração de gás natural e ocorre naturalmente em poços de gás e petróleo. 

Por ser mais pesado que o ar, costuma acumular em ambientes fechados e espaços enclausurados, tornando essas áreas extremamente perigosas.

É um dos grandes fatores de morte por inalação de gás nos EUA. Conhecido pelo cheiro de ovos podres, é tóxico e inflamável. 

O sulfato de hidrogênio pode rapidamente sobrepujar trabalhadores em espaços pequenos e é fatal.

Conclusão – Como lidar com fluidos perigosos?

Independentemente do tipo de  indústria, é fundamental saber manusear, transportar e armazenar os fluidos perigosos, sejam eles subprodutos, emissões, matérias-primas, solventes etc. 

Para isso, o ideal é sempre trabalhar com equipamentos e ferramentas que atendam aos requisitos das Normas de Segurança vigentes e estar sempre atentos a quaisquer intercorrências que possam ocasionar em vazamentos e situações de risco de vida bem como ao meio ambiente.

Tem dúvidas sobre equipamentos para movimentação de fluidos perigosos ou precisa de alguma solução de segurança para sua operação? Fale conosco.

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